
A casa ainda estava lá, escondida numa viela feita de pedras, paralelos e bairrismo. A fachada, cinzenta e velha, contrastava com o branco imaculado dos cortinados bordados à mão. Um fado vadio, tão vadio quanto o gato do telhado, irrompia pelas janelas. E essa saudade, que é só nossa por direito, minha por maldição, essa saudade que, tantas e tantas vezes, já chorara, fez-me sorrir. E foi mergulhada nesse sorriso, absurdamente feliz, que parti dali.
Quando cheguei a casa, corri para o sótão, agarrei-me à velha máquina de escrever e, pela primeira vez, em muito tempo, não tive medo de escrever sobre o amor. Não tive medo que as minhas palavras parecessem ridículas, porque, afinal de contas, essa coisa estranha a que chamam amor continua a ser aquilo que faz de nós Humanidade.
Aponto o dedo a todos aqueles que o tentaram banalizar, vendendo-o em leilões televisivos, publicitando-o em conversas cibernéticas. A enxurrada enjoativa de amor fez com que a antiga odisseia de encontrar o homem ou a mulher da nossa vida se tornasse no mais ridículo dos pensamentos. E vamo-nos perdendo em diferentes corpos, que não são nada mais para nós do que isso, simples corpos. Vamos simpatizando com alguns sorrisos. Vamos gostando aqui e ali, deste e daquele. Mas amar, não, isso é para os sonhadores.
Até que um dia o amor bate mesmo à nossa porta e deixamos de ter medo de ser ridículos. Acordamos e adormecemos com a imagem da mesma pessoa na cabeça, sorrimos por tudo e por nada, mesmo quando estamos sozinhos. Sentimos o nosso batimento cardíaco a aumentar, as mãos frias e transpiradas. Dizemos aos nossos amigos que estamos apaixonados, oferecemos presentes, tais como flores e bombons. Damos por nós a escrever poemas e a chorar com comédias românticas. Uma equação complexa de processos neurológicos e hormonais inibe o nosso pensamento racional e somos capazes dos actos mais obsoletos e altruístas para demonstrar o nosso amor.
Agora, que a noite já vai longa e que uma montanha de folhas rasgadas se acumula em meu redor, quero aqui deixar um elogio ao amor. Ao amor verdadeiro, altruísta, romântico e ridículo. Ao amor cego, que nos faz arriscar o desconhecido. Ao amor que nos deixa sem fôlego, que nos faz correr atrás. Ao amor das mãos dadas, dos passeios na praia e no parque. Ao amor impossível, pelo qual somos capazes de morrer e de matar. Ao amor da saudade e do desequilíbrio, que nos faz rir e chorar ao mesmo tempo. A esse amor que se enraíza na nossa alma e que nos faz querer beber cada gota da vida que nos foi oferecida.
Quando cheguei a casa, corri para o sótão, agarrei-me à velha máquina de escrever e, pela primeira vez, em muito tempo, não tive medo de escrever sobre o amor. Não tive medo que as minhas palavras parecessem ridículas, porque, afinal de contas, essa coisa estranha a que chamam amor continua a ser aquilo que faz de nós Humanidade.
Aponto o dedo a todos aqueles que o tentaram banalizar, vendendo-o em leilões televisivos, publicitando-o em conversas cibernéticas. A enxurrada enjoativa de amor fez com que a antiga odisseia de encontrar o homem ou a mulher da nossa vida se tornasse no mais ridículo dos pensamentos. E vamo-nos perdendo em diferentes corpos, que não são nada mais para nós do que isso, simples corpos. Vamos simpatizando com alguns sorrisos. Vamos gostando aqui e ali, deste e daquele. Mas amar, não, isso é para os sonhadores.
Até que um dia o amor bate mesmo à nossa porta e deixamos de ter medo de ser ridículos. Acordamos e adormecemos com a imagem da mesma pessoa na cabeça, sorrimos por tudo e por nada, mesmo quando estamos sozinhos. Sentimos o nosso batimento cardíaco a aumentar, as mãos frias e transpiradas. Dizemos aos nossos amigos que estamos apaixonados, oferecemos presentes, tais como flores e bombons. Damos por nós a escrever poemas e a chorar com comédias românticas. Uma equação complexa de processos neurológicos e hormonais inibe o nosso pensamento racional e somos capazes dos actos mais obsoletos e altruístas para demonstrar o nosso amor.
Agora, que a noite já vai longa e que uma montanha de folhas rasgadas se acumula em meu redor, quero aqui deixar um elogio ao amor. Ao amor verdadeiro, altruísta, romântico e ridículo. Ao amor cego, que nos faz arriscar o desconhecido. Ao amor que nos deixa sem fôlego, que nos faz correr atrás. Ao amor das mãos dadas, dos passeios na praia e no parque. Ao amor impossível, pelo qual somos capazes de morrer e de matar. Ao amor da saudade e do desequilíbrio, que nos faz rir e chorar ao mesmo tempo. A esse amor que se enraíza na nossa alma e que nos faz querer beber cada gota da vida que nos foi oferecida.

4 comentários:
Ah o amor, as palavras algo banalizado simplesmente. Mas é sempre bom saber que há gente como tu que escreve dando às palavras um sentido especial. Um sentido que da vontade perceber e persentir.
E quando a saudade 'nossa' maldiçao vem com toda a sua nostalgia envolvendo-nos em algo cálido e reconfortante...algo que nos faz sorrir estupidamente (aos olhos de outros) porque interiormente sao dos sorrisos mais sinceros que podemos ter.
Obrigado por nos proporcionares todo o sentimento e toda a paisagem em que quase que se sente o cheiro do sotao com um monte de folhas rasgadas à nossa volta.
Realmente um daqueles textos!!
Bom, muito bom.
Beijo Grande*
ola:)
**
Um texto magnífico!
Nem sempre temos a coragem de falar abertamente do Amor... e tens toda a razão quando dizes q só a adquirimos quando este surge verdadeiramente.
Cada um terá uma opinião própria, mas eu identifico-me com a tua!
Gostei imenso do texto!!!
:)*
olá
Lindo!!Não há palavras para descrever o que acabei de ler, ou até há, mas elas nem sempre saem quando este sentimento está presente pois acredita que ficamos sem palavras é algo divinal, em que tudo à nossa volta por mais ridiculo que o seja deixa de ser acredita. O melhor do amor é mesmo senti-lo no mais profundo do que o ser humano é.
Um beijo. Beatriz ***
Anseio encontrar esse tal amor.. Cada vez mais no mundo de fantasia.. Onde tudo é possivel..! Sera? =/
Bjo* Esta' EXCELENTE ! =))
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