
Fechou os olhos. A luz quente de um Sol de Inverno bateu-lhe no rosto e salientou-lhe as sardas do nariz.
À sua frente, um rio, cujo nome se devia à sua cor outrora dourada, corria calmamente para o seu mar. Um barco rebelo acabava de partir atulhado de turistas. A ponte erguia-se sobre o rio, à força do ferro, e unia duas cidades. Do outro lado, as casas faziam jus à tradicional cascata de S. João, encavalitadas no declive íngreme, sobrepostas, pintadas de inúmeras cores, umas novas e bonitas, outras demasiado vergadas pelo tempo. Viam-se ruas pitorescas onde os automóveis passam com dificuldade e as mulheres desesperam quando o salto alto fica preso entre os paralelos, que é a designação que se dá às ruas de pedra por estas bandas.
A rapariga das sardas no nariz afastou uma madeixa de cabelo que lhe caía sobre o rosto e fixou o seu olhar na cidade que a vira nascer. Quem a visse, naquele momento, diria que os seus olhos reflectiam o mesmo verde do rio e julgar-se-ia capaz de mergulhar nos sentimentos, estórias e segredos que guardavam. A tonalidade dos seus olhos ficava sempre mais profunda quando tinha vontade de chorar. Não. Não estava triste, nem teria motivos para tal. Mas sentia-se invadida por um misto de saudade e de nostalgia que nunca sentira. Perguntou-se se ainda ali pertencia, se as suas raízes ainda permaneciam naquele lugar. Perguntou-se se teria raízes.
O alarme do telemóvel tocou, recordando-a que estava na hora de ir apanhar o comboio. Apanhou um táxi até Campanhã, carregou com dificuldade a mala, o portátil que lhe parecia sempre inexplicavelmente pesado e a mochila, e, finalmente, sentou-se. Encostou a cabeça à janela e, quando o comboio passou sobre o rio, não conseguiu evitar que as lágrimas rolassem pela sua face. Sabia que ía para um cidade igualmente linda, sabia que, na próxima semana, iria regressar a casa. Mas não sabia se algum dia iria regressar definitivamente.
Partia por desejo próprio e com a certeza de que Lisboa podia ser a bela cidade das sete colinas, podia até vir a roubar-lhe o coração, mas era a luz bela e sombria do Porto que iria guardar a sua alma para sempre.

5 comentários:
Ola!De novo aqui estou com os meus simples comentários.Tenho medo que deixes de escrever aqui só por ser eu o único a deixar-te um comentário ou algo assim..A verdade é que já 200 pessoas passaram por aqui e comentaram o teu blog!Tu uma vez disses-te que a minha facilidade em escrever era um dom, mas deixa que te diga que realmente o meu dom perto do teu é minimo.Descrição fantástica, perfeita e real da nossa querida cidade.Até fico sem palavras só olhar para o texto.Está realmente muito bom..Acho que qualquer um que tenha passado 30min no Porto e que lesse este texto iria adorá-lo e desejá-lo como nunca...Parabéns!
Desculpa os meus continuos e assiduos comentários*
Fica bem =)
Minha kida aninhas,minha mana mais recente,kero t dizer k adorei o teu texto.E tambem k como diz o teu amigo tiago kem ja passou pelo porto e leu o teu comentario reve o lindo porto cmo ele e.sabes k sou suspeitoa pois adoro o porto e td o k d bonito ele tem.jinhux fofos e docfes e continua a escrever pois tens um dom da palavra enorme
Oi sofia!acabei de ler o teu texto e fiquei com uma vontade enorme de pegar nas malas e ir apanhar o comboio p o Porto, mas depois a realidade caiu em cima de mim e achei q n seria razoavel uma vez que tenho mts responsabilidades em lx, nomeadamente o nosso trabalho:p
Falando acerca do texto, Sofia acho que lx nunca irá conseguir apagar do teu coração o Porto, e acho lindo a maneira como te afeiçoas-te à tua terra. Acho que a distância só veio fortalecer esse teu sentimento pelo Porto.
jokas e no proximo fim-de-semana leva-me cntg! :p
ja deves tar farta dos meus comentários, mas eu não me canso de repetir que adoro o que escreveste neste blog. este texto parece que o escreveste para mim. parece que te pedi "olha, escreve qualquer coisa que me toque bem fundo e me faça arrepiar"
e que tu escreveste isto.
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