
Estou, uma vez mais, sem sono. Sento-me em frente ao computador. Estou sem inspiração, mas este vício que é escrever toma conta de mim, percorre-me as veias, e deixa-me embriagada nestas noites de insónia e de solidão assistida.
Levanto-me, ponho-me em frente do espelho. Sorrio ao ver o desenho estampado no pijama, que os meus colegas me ofereram nos anos. O meu cabelo encaracolado está, como sempre, cheio de personalidade. Concentro-me no reflexo do meu rosto. Mergulho no verde dos meus olhos. Sem falsas modéstias, sempre gostei dos meus olhos. Tento perscrutar a minha alma, encontrar uma identidade, uma definição.
Certa vez, ouvi alguém dizer que a Mulher é o bicho mais estranho e mais belo do Mundo. Mulher... A palavra evade-se de todos os poros do meu corpo.
Estou a ouvir novamente a ouvir a música "The Blower's Daughter" de Damien Rice. Fecho os olhos, a música continua a ecoar nos meus ouvidos "I can't take my eyes of you"...
Abro os olhos e paro a música. Respiro fundo. Cerro, uma vez mais, os olhos e o silêncio chega finalmente. Uma quietude invade-me e sinto compreender todos os segredos deste Mundo. Sinto conhecer-me.
Levanto-me, ponho-me em frente do espelho. Sorrio ao ver o desenho estampado no pijama, que os meus colegas me ofereram nos anos. O meu cabelo encaracolado está, como sempre, cheio de personalidade. Concentro-me no reflexo do meu rosto. Mergulho no verde dos meus olhos. Sem falsas modéstias, sempre gostei dos meus olhos. Tento perscrutar a minha alma, encontrar uma identidade, uma definição.
Certa vez, ouvi alguém dizer que a Mulher é o bicho mais estranho e mais belo do Mundo. Mulher... A palavra evade-se de todos os poros do meu corpo.
Estou a ouvir novamente a ouvir a música "The Blower's Daughter" de Damien Rice. Fecho os olhos, a música continua a ecoar nos meus ouvidos "I can't take my eyes of you"...
Abro os olhos e paro a música. Respiro fundo. Cerro, uma vez mais, os olhos e o silêncio chega finalmente. Uma quietude invade-me e sinto compreender todos os segredos deste Mundo. Sinto conhecer-me.
EsperaaaDeito-me tardeEspero por uma espécie de silêncioQue nunca chega cedoEspero a atenção, a concentração da hora tardiaArdente e nuaÉ então que os espelhos mostram o seu segundo brilhoÉ então que se vê o desenho do vazioÉ então que se vê subitamenteA nossa própria mão pousada sobre a mesaÉ então que se vê o passar do silêncioNavegação antiquíssima e solene.aaSophia de Mello Breyner

