quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Mas afinal o que é o amor?

Na última semana de aulas, eu, juntamente com mais 4 colegas, fomos para a baixa de Lisboa armadas com uma câmara de filmar e um microfone perguntar às pessoas o que era o amor. Podía-nos dar para pior não?
No fundo, a nossa intenção era, a partir das respostas das pessoas, fazer uma reflexão acerca da forma como o amor é encarado pela sociedade actual. Tudo isto para, mais tarde, apresentar oralmente numa aula.
Depois de vermos o filme várias vezes, de termos cortado mil e uma respostas estúpidas e as nossas próprias gargalhadas e disparates, lá conseguimos, com bastante ginástica, reduzir um filme com mais de 40 minutos num filme de 13 minutos. E há que dar o mérito à minha colega Inês (caso contrário ela não me perdoaria), já que foi ela que fez a montagem do filme que, por sinal, acabou por ficar, simultaneamente, divertido e interessante.
Aliás, o filme deu-nos tantas ideias que a apresentação oral que deveria prolongar-se, no máximo, por meia hora acabou por demorar quase uma hora (mas enfim, acho que a professora até gostou...).
A verdade é que este trabalho me fez, de facto, refectir. Pensar que, se calhar, se me aparecessem na rua umas cromas de psicologia (como um certo rapaz nos chamou) a perguntar o que era o amor eu, muito provavelmente, ficaria a gaguejar sem saber o que responder.
Através do filme, apercebemo-nos que as pessoas remetem o amor para dois significados diferentes: o ter e o ser. O ter de ter amor, ter namorada, ter um casamento, ter alguém. O ser de sentir, de viver, de dar e de receber, de partilhar.
Mas o amor não é algo palpável, para que se possa possuir. O amor é algo que se vive. Não é possível ter alguém, é possível, isso sim, partilhar uma existência comum.
O amor tornou o Homem num ser social, é aquilo nos mantém unidos. No entanto, se o amor é o sentimento que faz de nós um ser tão especial, por que é que vivemos numa sociedade cada vez mais egoísta e hedonista? Uma sociedade voltada para os interesses e em que cada um de nós lamenta os grandes males do mundo de braços cruzados.
Muitas vezes, esquecemo-nos que todos fazemos parte e compactuamos com essa sociedade carente de amor e que cabe a cada um de nós fazer algo para (re)educar o Mundo para o amor. Eu ainda não perdi a Fé pela Humanide. E tu?

Muitas coisas pequenas, em muitos lugares pequenos, feitas por muita gente pequena podem mudar o mundo.
aa
Provérbio Escocês

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Porquê escrever?

Lidos muitos blogs, muitos desabafos e lições de vida, muitas estórias e piadas, muitas palavras escritas à meia luz quando a noite já vai alta e ninguém dá por nós, eis que ganhei coragem para também eu escrever.
Porque, quando partilhamos aquilo que escrevemos, conseguimos deixar, nem que seja por momentos, o mundo egocêntrico em que vivemos, e descobrir que os nossos sonhos, medos, angústias, opiniões, dúvidas e alegrias são, tantas e tantas vezes, as mesmas de outras pessoas, com outros rostos, com outras vidas.
E, como o sono já começa a tomar conta dos meus pensamentos, deixo aqui um poema que se encontra no prólogo do livro "Onze Minutos" de Paulo Coelho, com o qual me despeço. Trata-se de um hino a Ísis, deusa-mãe do Egipto:
Porque eu sou a primeira e a última
Eu sou a venerada e a desprezada
Eu sou a prostituta e a santa
Eu sou a esposa e a virgem
Eu sou a mãe e a filha
Eu sou os braços da minha mãe
Eu sou a estéril, e os meus filhos são numerosos
Eu sou a bem casada e a solteira
Eu sou a que dá à luz e a que jamais procriou
Eu sou a consolação das dores do parto
Eu sou a esposa e o esposo
e foi o meu homem quem me criou
Eu sou a mãe do meu pai
Sou a irmã do meu marido,
e ele é o meu filho rejeitado
Respeitem-me sempre
Porque eu sou a escandalosa e a magnífica